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Plagiando traduções

Olha que absurdo esta notícia, que peguei no site de O Globo, depois de ler um tweet da @marinewlands:

Editora acusada de plágio processa tradutora

A tradutora Denise Bottmann, que desde 2007 se dedica a divulgar casos de plágio de traduções no blog Não Gosto de Plágio, está sendo processada pela editora Landmark, responsável por duas obras denunciadas por Denise: “Persuasão”, de Jane Austen, e “O morro dos ventos uivantes”, de Emily Brontë, publicadas em 2007. A ação exige que Denise pague uma indenização por danos morais e materias no valor de R$ 186 mil e que retire o blog do ar.

[…] As semelhanças incluem erros de tradução e gralhas. […]

Em 2008, o Prosa & Verso mostrou a prática corrente do plágio de traduções entre editoras como Nova Cultural e Martin Claret, que substituíam o nome de tradutores famosos pelos de pessoas desconhecidas para driblar o pagamento de direitos autorais. Em muitos casos, a fraude era sugerida pela produtividade sobre-humana dos tradutores – um deles era creditado pela Martin Claret em obras de Marx, Descartes, Rousseau, Nietzsche, Weber, Shakespeare, Kafka, Platão, entre muitos outros. O Globo

Processar a Denise foi um erro estratégico grave da Landmark e só vai servir para chamar atenção ao caso. O plágio pode ser comprovado pelos erros grosseiros que se repetem nas duas edições. Não tem como um juiz não ver isso. Ainda bem que existe alguém prestando atenção nisso e denunciando tudo.

Tradução é uma coisa muito séria. Tenho livros que não consigo ler direito porque a tradução mal feita me incomoda demais. Outros, nem parecem livros traduzidos, de tão bons que são. O pior é quando você encontra um trecho claramente mal traduzido – em que dá até para deduzir o que estava escrito na língua original, e o tradutor deixou passar – e você passa a desconfiar de tudo o que leu até aquele ponto.

Posted in Clipping, Livros.

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8 Comentários

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  1. Pedro diz...

    É… tradução realmente é uma coisa muito séria. Infelizmente tem gente que acha que saber a língua original da obra é suficiente para realizar uma tradução. Eu acho que não. É preciso conhecer o assunto a ser traduzido, pois tradução por tradução até o google faz.

  2. denise bottmann diz...

    prezada lia, agradeço a divulgação.

  3. Lia Caldas diz...

    De nada, Denise. Isso tem que ser divulgado mesmo.

  4. Fraga diz...

    Lia,

    Se editoras como a Martin Claret fazem plágioo é porque tem quem compre “seus” livros. E, se o público compram “livros” editados por editoras como a Martin Claret, é porque, certamente, acham seus preços mais acessíveis. Não sou a favor de plágios, mas cá entre nós; tem muitas editoras que abusam em seus preços. Tomemos por exemplo a obra “Suicídio” de Emile Durkheim. Na Martin Claret custa R$ 19,90. Em outra editora famosa, que prefiro não citar o nome, custa nada menos que R$ 89,00.
    Entendo e respeito a preocupação de pessoas como a Denise, mas, francamente, o problema é maior que isso. Não tenho provas, mas não é preciso muito para saber que rola muita grana nisso tudo. Não há nenhuma editora “santinha” no mercado editorial brasileiro. Por que os livros são tão caros? Por que essas editoras, que trabalham de forma honesta, não procuram rever seus preços? O que há, será que não é possível?
    Portanto, na boa, fica muito difícil. Como podem cobrar R$ 89,00 em um livro? Sei que conhecimento e cultura não tem preço, mas, aí também já é demais. Sendo assim, na boa, prefiro comprar o que meu bolso suporta.

  5. Lia Caldas diz...

    Fraga,

    Os livros não são mais caros por causa da tradução não ter sido plagiada. Acredito que os tradutores são os que menos lucram com esses valores altíssimos de alguns livros.

    Concordo com você que os preços são absurdos. Li em algum lugar que no Brasil é onde se paga mais por eles, assim como acontece com outros produtos que consumimos. O brasileiro, no entanto, rejeita as edições mais em conta, como as em papel jornal, tão comum nos EUA.

    Mas até que ponto você vai confiar num livro editado por uma empresa que não está muito preocupada com o conteúdo que está distribuindo? Eu não confio. O livro é mais barato, mas acaba saindo caro diante do que você está levando. É gato por lebre!

    Quando leio um livro traduzido, quero poder confiar que o texto é o mais honesto possível em relação ao original, e uma empresa que rouba propriedade intelectual me parece estar mais preocupada com o próprio lucro do que com a satisfação do leitor.

  6. Alejandro Rubio diz...

    Como antigo livreiro e conhecedor das “técnicas” das editoras, parabenizo a quem como vocês denuncia o absurdo de traduções mal feitas, usando nomes de desconhecidos, isso so faz mal ao leitor!!

Continuando o debate

  1. apoiodenise linkou para este post on 5 de março de 2010

    […] Ephemera, Plagiando traduções […]

  2. Mais plágio | Ephemera, by Lia Caldas linkou para este post on 27 de maio de 2010

    […] fevereiro de 2010, eu citei outro caso de plágio, o das traduções, que também vale ser lembrado. Naquele caso, as editoras reaproveitavam […]



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