A ideia inicial era quebrar o percurso em dois dias, viajar com a luz do sol e dormir onde o cansaço batesse. A gente escolheu fazer a viagem pela BR-116, a Rio-Bahia, que nos pareceu ser o caminho mais lógico. Pelos meus cálculos, a metade do caminho seria lá perto de Teófilo Otoni.
Tivemos, no entanto, alguns problemas no Rio que nos impediram de sair cedinho; portanto partimos à tarde, com o objetivo de chegar, no mínimo, em Governador Valadares, seja que horas fosse. O Pedro dirigiu a maior parte do tempo e eu peguei o carro por volta de 21h, já que sou um ser da noite. Dirigi até uma da manhã, quando chegamos ao objetivo mínimo do dia.
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Entusiasmo
Toda a viagem começa quando você dá o primeiro passo. E no meu caso, a animação de saber eu finalmente iria conhecer a Chapada Diamantina era tanta que eu comecei a fotografar ainda no Rio de Janeiro. Eu fotografava qualquer coisa que eu visse do carro. Qualquer coisa mesmo! E já que eu estava com mais dois disquinhos de memória, não me preocupei nem um pouco em economizar cliques.
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A viagem do primeiro dia foi inconstante: a estrada estava oras razoavelmente boa, oras muito boa e oras um perigo absurdo. Paramos em Teresópolis para um lanche, onde aproveitei para fotografar o Pico do Escalavrado, com a luz de fim de tarde. Essa era a vista do lugar onde tomamos um suco de laranja com pão de queijo:
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No segundo dia, andamos ainda bastante por Minas Gerais – como é grande esse estado! –observando qualquer pedaço de pedra e imaginando que pudesse ter alguma escalada. Em algum ponto, achamos um morro que a princípio nos fez lembrar o Pão de Açúcar, mas que na verdade não tinha nada a ver. Só por este ângulo mesmo:
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Banco de Imagens?
Aproveitei para tentar tirar uma boa foto de estrada, algo tipo banco de imagens, pensando em mandar para a Olhar. É claro que eles já têm esse tipo de foto, mas eu queria deixar o meu pai orgulhoso. Foram estas as imagens que eu consegui fazer:
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Bom, acho que deu certo, pois uma das fotos foi para no Explore do Flickr, do dia 3 de fevereiro, e no blog deles em português, num post sobre nuvens.
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Blanquito
E o Blanquito não podia ficar de fora. Eu estou fotografando tanto esse carro que ele ganhou até um álbum no Flickr. O Pedro diz que desse jeito vai ser impossível vendê-lo quando chegar a hora, pois eu o transformei em um membro da família. O pior é que é verdade. Do jeito que eu sou sentimental, vai ser uma choradeira ainda maior do que quando eu vendi o meu primeiro carro, um Ford Ka azul que eu chamava de Tatu Bolinha.
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Fazendo “amigos”
Numa das paradas para abastecer, uma abelha me pediu para ser fotografada. Eu estava dentro do carro e ela olhou no fundo dos meus olhos. Veja a primeira foto e me diz se ela não está me olhando:
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A segunda foto acabou se tornando a minha macro favorita. Amei as cores e a suavidade da luz, sem falar na diferença entre a textura da asa e a do corpo peludo da abelha:
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A estrada BA-142
Na Bahia, o caminho escolhido foi ir até Vitória da Conquista e pegar a BA142, passando por Tanhaçu, Ituaçu e Barra da Estiva, que já estão na gigante área da Chapada Diamantina. Passamos por povoados muito pobres e pelo o que me pareceu serem plantações de cáctus, se é que isso existe. Ao longo das estradas, uma grande quantidade de borboletas amarelas me deixou fascinada e ao mesmo tempo frustrada, pois seria impossível fotografá-las. Isso é uma daquelas coisas que tem que ver, não dá pra registrar.
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A chuva e o arco-íris:
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A Serra do Sincorá
Mesmo já estando na Chapada Diamantina, você só se dá conta disso quando vê a Serra do Sincorá. Foi emocionante ver as paisagens abaixo, especialmente na luz de fim de tarde. Uma pancada de chuva refrescou o ambiente, e o verde ficou lindo.
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Depois dessa última foto, paramos em Mucugê, onde passamos a noite, mas isso fica para o próximo relato.
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Olá Lia… penso em conhecer a Chapada no proximo feriado de 4 dias em julho. Quais lugares vc me recomenda pra nem pensar em deixar de conhecer? Obrigada Karla
Oi, Karla. O primeiro lugar que me vem à mente é a Cachoeira da Fumaça. Para mim, foi muito especial ver aquela água voando e se recusando a cair. Tem também os clássicos, como o Morro do Pai Inácio e o Poço Azul (o Poço Encantado estava fechado quando eu fui). A cidadezinha de Igatú é a coisa mais lindinha do mundo e vale a visita.
Acredito, no entanto, que o mais proveitoso para você seria ver em qual cidade vai estar hospedada e quais atrações estão mais perto. A Chapada Diamantina é gigantesca e às vezes você tem que dirigir muitas horas para chegar ao lugar. A Cachoeira do Buracão, por exemplo, é fascinante, mas fica em uma cidade bem longe das outras atrações. Eu deixei para ir lá no caminho de volta para o Rio.