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Plantão de polícia

O Saquá 111Uma das seções de mais sucesso no jornal O Saquá é a coluna policial, escrita por AG Marinho, que já foi correspondente de alguns jornais diários do Rio. Discípulo de Nelson Rodrigues, Marinho transforma as histórias insólitas que apura na delegacia e nas ruas em textos surpreendentemente engraçados. No site, são as páginas mais acessadas. Colhi um dos casos que saiu na edição deste mês para ilustrar o que digo:

Pum provoca barraco

O ônibus saiu lotado de Bacaxá. Para evitar um acidente o motorista pisou fundo no freio na curva da descida do Morro da Cruz. O veículo brecou e pifou. O povaréu do corredor trepou um por cima do outro que nem macarronada de domingo. Um senhor idoso, tremendo e assustado, liberou um pum olímpico digno de medalha de ouro e, daí em diante, se formou um brigueiro. A discussão começou dentro do veículo, mas foi fora do coletivo que o pau comeu feio. Segundo Silveira, filho, seu Silveira, pai, fabricante do pum, passou a ser ridicularizado, motivo de risadas e de piadas que, excedendo as pilherias se transformaram em ofensas, enquanto era aguardada a chegada de outro ônibus.

Ofendido, e por respeito ao pai, afirmou, saiu distribuído porradas a torto e a direito. Inocentes e culpados, participantes da briga, prós e contra, colaboraram com as caras quebradas, olhos roxos e hematomas generalizados com os quais as vítimas foram parar no setor de atendimento médico de emergência. Dois tiros foram disparados para o alto, mas ninguém soube informar de onde saiu. Um pedaço de moirão de cerca rachou a cabeça de Pedro, que foi hospitalizado com amnésia traumática, sem saber o próprio nome e nem onde morava.

Cristina, acusada de ser a principal protagonista da maioria das brincadeiras de mau gosto, levou um pisão na barriga e foi removida com sintomas de hemorragia. Romualdo, o marido, descrito por uma passageira como sendo: “atiçador, desaforado e portador de pinta agressiva de macho reprodutor”, tomou um socão no pé da orelha e com a boca descosturada falou um montão de palavrões e concluiu dizendo: “isso é roupa suja pra se levar no Boqueirão, porque esse barraco ainda não caiu e esse pum vai virar guerra”. Ninguém compareceu na delegacia para registrar queixa ou denunciar o fato.

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2 Comentários

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  1. Dulce Tupy diz...

    Lia,
    Obrigada pela divulgação do jornal O Saquá no seu site.
    Fico orgulhosa de você que é a nossa diretora de arte e do Marinho nosso colaborador no Plantão de Polícia. Toda vez que leio esta pequeno crônica do Marinho morro de tanto rir. Agora ele está trabalhando como ouvidor da Prefeitura de Saquarema.
    Imagina o que ele vai ouvir e como ele vai processar isto em sua cabeça tão criativa.
    Acho que em breve ele terá pronto um livro de crônicas sobre a cidade.
    Beijos,
    Dulce

  2. Dulce Tupy diz...

    Ah! Esqueci de colocar minha qualificação: Dulce Tupy, editora do jornal O Saquá, de Saquarema- Rio de Janeiro- Brasil.