Adoro essa imagem dos baldes coloridos iluminados pelo sol. Mas essa cena, aparentemente especial, é bastante comum na minha casa em Saquarema e já foi fotografada diversas vezes. Ela se repete todo mês e tem uma explicação embaraçosa.
Quando a casa foi construída, há uns 40 anos, minha avó, indo contra os conselhos do pedreiro responsável, achou que a cisterna sugerida era grande demais, um verdadeiro exagero, e optou por construir um reservatório menor. Acontece que existe um tamanho padrão para pipas d’água, e, desde então, antes de encomendar a água, é feito um acordo com o vizinho, que fica com o restante da pipa.
Se a casa fosse minha mesmo, eu já teria mandado quebrar e fazer outra, mas esse não é o perfil da minha mãe, que mora lá há 15 anos. Durante todo esse tempo, portanto, a imagem dos baldes se repete a cada compra de pipa. A ideia é guardar o máximo de água possível antes de mandar o cara completar a cisterna do outro.
Mas a história não termina aí. É claro que os cachorros adoram a novidade de ter toda essa água à disposição, e, neste dia, eles trocam a água do prato pela abundância do balde. Por esse motivo, depois que os balde estão cheios, eles devem ser colocados num lugar mais alto, e é essa a origem da foto ao lado, dos baldes conversando amigavelmente na mesa do quintal.
Mas esse ritual milenar está com os dias contados. Dizem que a água encanada vai chegar em Barra Nova. Vamos ver!
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adorei a foto!